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Passoquinha: mais de meio século de churrasco em Canoas

Passoquinha: mais de meio século de churrasco em Canoas

Entrevista: Lizbeth Kossmann
Fotos: Gabriel Teixeira

Administrado pela família Zambiasi desde 1973, o restaurante acompanhou o crescimento da cidade, ajudou a popularizar o espeto corrido e se tornou uma escola para gerações de profissionais da gastronomia.

O Passoquinha já existia desde 1971 quando foi comprado pelo pai de Cristiano Zambiasi, em 19 de setembro de 1973. O nome não nasceu de alguma sobremesa criada na cozinha nem de uma estratégia de publicidade. Segundo Cristiano, era o apelido do antigo proprietário, um homem ligado a Caxias do Sul que vendia paçoquinhas dentro dos ônibus e depois se tornou motorista. Quando o restaurante mudou de mãos, o nome permaneceu. A palavra pequena e informal atravessou mais de cinco décadas e acabou se tornando uma das referências gastronômicas mais conhecidas de Canoas.

 

Antes de assumir a churrascaria, o pai de Cristiano percorreu um caminho comum a muitos empreendedores de sua geração. Veio de Nova Bréscia, trabalhou viajando em um caminhão no qual vendia balas e biscoitos e, ao se estabelecer em Canoas, manteve durante alguns anos um pequeno bar na Rua Rio Branco. Foi depois dessa primeira experiência que surgiu a oportunidade de negociar o Paçoquinha. A troca representava um salto considerável: de um bar de bairro para um restaurante que exigia equipe, compra regular de carne, domínio do fogo, serviço de salão e uma rotina que começava muito antes da chegada dos clientes.

para permanecer tanto tempo no ramo, é preciso gostar do trabalho.

A origem nova-bresciense da família Zambiasi situa o Passoquinha dentro de um movimento migratório que transformou o ramo das churrascarias no Rio Grande do Sul e em outros lugares do Brasil. A partir da década de 1960, moradores de Nova Bréscia deixaram o município para trabalhar como copeiros, garçons, assadores e, mais tarde, proprietários de restaurantes. Muitos chamavam parentes e conterrâneos assim que o negócio começava a prosperar, formando uma rede baseada em aprendizado prático, relações familiares e confiança. Essa história foi retratada por Matheus Mombelli no documentário Os Churrasqueiros de Nova Bréscia, que acompanhou a expansão dos assadores e empresários do município por diferentes cidades e países.

No Passoquinha, o processo se repetiu em escala familiar. O pai de Cristiano começou trabalhando praticamente sozinho. Conforme o movimento aumentou, chamou os irmãos de Nova Bréscia e dividiu pequenas participações do negócio entre eles. A empresa cresceu, ampliou o restaurante em Canoas e chegou a manter uma filial em São Leopoldo, posteriormente vendida. O estabelecimento tornou-se, assim, não apenas o empreendimento de uma família que havia deixado o interior, mas também um ponto de chegada para parentes e profissionais que encontravam ali uma oportunidade de trabalho.

 

A passagem da família Valgói pelo restaurante é uma das consequências mais visíveis dessa rede. Também vindos de Nova Bréscia, Renato Valgói e seus familiares trabalharam como garçons no Passoquinha antes de assumirem a antiga Casa de Pão e Vinho, que mais tarde se tornaria o Italianíssimo. O caso segue um percurso recorrente entre os nova-brescienses: primeiro o trabalho no salão, depois o aprendizado da operação e, quando aparecia uma oportunidade, a abertura ou aquisição de uma casa própria. Mais do que uma ligação isolada entre dois restaurantes, essa passagem mostra como o conhecimento circulava entre famílias, cozinhas e salões. O Passoquinha ajudou a formar profissionais que depois continuaram a movimentar a gastronomia de Canoas em outros endereços.

 

 

A longevidade da equipe reforça essa característica. Cristiano recorda o churrasqueiro conhecido como Seu Pedrinho, que trabalhou na casa por quase quarenta anos antes de se aposentar. Outros garçons permaneceram durante períodos semelhantes, passando praticamente toda a vida profissional no restaurante. Décadas de convivência produzem uma forma de conhecimento difícil de transferir por escrito: o ponto da carne, a sequência dos espetos, a organização do salão, o reconhecimento dos clientes habituais e a capacidade de manter o serviço funcionando mesmo nos dias de maior movimento.

Cristiano não seguiu imediatamente o caminho do pai. Quando era mais jovem, fez estágio no Banco do Brasil e trabalhou em outra empresa de Canoas. Voltou ao restaurante quando a saúde do pai começou a exigir ajuda. Aos poucos, assumiu mais responsabilidades e acabou comprando as participações dos familiares que já desejavam parar. Na época da entrevista, calculava estar havia mais de vinte anos trabalhando na casa e cerca de quinze diretamente à frente do negócio. O pai permaneceu ligado ao restaurante durante praticamente toda a vida e morreu depois de enfrentar um câncer de próstata. Ao falar da rotina, Cristiano não procura amenizar a exigência do ofício: para permanecer tanto tempo no ramo, é preciso gostar do trabalho. Cristiano atribui parte do crescimento inicial do Passoquinha à adoção do rodízio no sistema de espeto corrido, ainda pouco comum em Canoas naquele período. A casa teria sido uma das primeiras da região a trabalhar com esse formato, levando sucessivos cortes de carne diretamente às mesas. Na memória dele, havia poucas churrascarias concorrentes. Uma das principais era a antiga Churrascaria Grilo, conhecida como “Rei do Lombinho”, que não está mais em atividade. A combinação entre novidade, qualidade da carne e um serviço bem executado ajudou a transformar o Passoquinha em destino para famílias, confraternizações e almoços de domingo.

O restaurante também cresceu acompanhando a cidade. Fotografias conservadas pela família mostram a fachada original por volta de 1980 ou 1981 e as diferentes etapas de ampliação do salão. Os fundos da propriedade estavam ligados à própria vida doméstica dos Zambiasi, que chegaram a morar junto ao estabelecimento. A história da construção acompanha, portanto, a transformação de um negócio pequeno em uma operação maior, feita aos poucos e de acordo com o movimento da casa. Essa continuidade é percebida sobretudo nos clientes. Cristiano ouve com frequência pessoas contarem que eram levadas ao Passoquinha pelos pais e que, décadas depois, passaram a frequentá-lo com os próprios filhos. Há também visitantes de Porto Alegre e viajantes que param no restaurante no caminho para o aeroporto, a Serra ou Gramado. O endereço se tornou parte de uma memória familiar repetida de geração em geração, na qual o retorno importa tanto quanto a novidade. Embora o churrasco seja o centro da casa, duas sobremesas aparecem com destaque no relato de Cristiano: o pudim e o sagu. “O pudim e o sagu são difíceis de bater”, afirma. O sagu possui um diferencial que ele prefere não revelar por completo, admitindo apenas a importância do vinho no preparo. A reserva em torno da receita é coerente com uma cozinha construída durante décadas, na qual pequenos ajustes acabam se tornando parte da identidade do restaurante.

O Passoquinha também apareceu espontaneamente em outra entrevista realizada pelo projeto. Ao conversar sobre a identidade gastronômica de Canoas, Rúbia e Luís Roberto Gewehr questionaram se o xis deveria ser considerado a única grande marca da cidade. Para eles, o churrasco possui uma presença histórica igualmente importante, representada por casas como o Passoquinha e o Jardim do Lago. O argumento não precisa estabelecer uma disputa definitiva entre os dois pratos. Ele ajuda a mostrar que a gastronomia canoense se desenvolveu em mais de uma direção: enquanto as lancherias e seus trailers se tornavam pontos de encontro dos jovens, as churrascarias reuniam famílias, trabalhadores e viajantes em torno do espeto corrido. O próprio Cristiano reconhece a força do xis e cita estabelecimentos tradicionais como X-Rei, Rapach e Romani. Para ele, a quantidade e a antiguidade dessas casas justificam a identificação de Canoas com o lanche. Sua posição, no entanto, acrescenta outra camada a essa história. O xis pode ter se tornado a marca mais imediatamente reconhecida da cidade, mas o churrasco também construiu uma estrutura duradoura, com restaurantes capazes de atravessar décadas e formar novos profissionais.

Nos últimos anos, Cristiano continuou atualizando o espaço. A fachada recebeu nova iluminação e uma abertura que permite enxergar a área de preparo desde a rua. Para essa parte do restaurante, ele adquiriu em Camboriú uma churrasqueira campeira, transportada sobre o carro até Canoas. Nela são assados costelões inteiros, transformando o fogo e a carne em uma espécie de vitrine do restaurante. Durante o inverno, a casa também passou a oferecer espetos de ovelha e manteve o serviço de churrasco no período noturno.

 

Mais de cinquenta anos depois de sua abertura, o Passoquinha permanece administrado pela mesma família que o adquiriu em 1973. Sua importância, porém, não se limita ao tempo de funcionamento. A churrascaria integra a história da migração nova-bresciense, formou garçons e assadores, deu trabalho a profissionais durante décadas e ajudou outras famílias a aprender o funcionamento de um restaurante. Ao redor de seus espetos, cresceu uma rede que liga o interior do estado a Canoas, o trabalho de uma geração ao empreendimento da seguinte e a memória de antigos clientes às famílias que continuam ocupando suas mesas. ▉

Entrevista com Cristiano Zambiasi, do Paçoquinha

Data: 19 de junho de 2026
Entrevistadora: Lizbeth Kossmann
Entrevistado: Cristiano Zambiasi
Duração aproximada: 19 minutos
Transcrição revisada


00:00:01

Lizbeth Kossmann: Vai ser feita a transcrição da nossa conversa. Com isso, depois a gente vai poder escrever. Eu vou te fazendo algumas perguntas, mas tu também pode falar livremente.

Cristiano Zambiasi: Tá certo.

Lizbeth Kossmann: A primeira é assim: qual é o teu nome completo, por favor? Não está aparecendo aqui. Cristiano?

Cristiano Zambiasi: É isso.

Lizbeth Kossmann: Desde quando existe o Paçoquinha?


00:00:33

Cristiano Zambiasi: Existe desde 1971. Só que meu pai comprou em 1973, no dia 19 de setembro de 1973. Eu acho que o nome Paçoquinha veio do antigo proprietário. No caso, meu pai acabou comprando o restaurante e mantendo o nome do antigo proprietário, que tinha esse apelido. Ele era motorista de ônibus em Caxias do Sul, se não me engano. Vendia paçoquinhas dentro dos ônibus e depois acabou virando motorista.

É uma história legal, mas não tem muito a ver com a casa. É um pouco diferente, assim, mas acabou ficando o nome. [inaudível]. O pai veio de Nova Bréscia para cá e, na época, tinha montado um barzinho.

Ele também trabalhava vendendo balas e biscoitos em caminhão. Viajava bastante e acabou se fixando aqui em Canoas.

Lizbeth Kossmann: Onde era o bar?

Cristiano Zambiasi: Era na Rio Branco.

Lizbeth Kossmann: Na Rio Branco, aqui no meu bairro.

Cristiano Zambiasi: Na Rio Branco. Ele ficou poucos anos ali e acabou negociando o restaurante aqui.


00:02:02

Cristiano Zambiasi: Ele já não está mais por aqui. Faleceu faz uns 14 anos. Trabalhou a vida inteira aqui. Quando chegou a hora de descansar um pouquinho, acabou se judiando com um câncer de próstata, que foi aumentando, e depois veio a falecer. Mas teve uma vida inteira de [inaudível], né?

Lizbeth Kossmann: Eu conversei com o proprietário da Taberna do Gato 2 e ele me relatou isso também. O quanto é puxado e o quanto tu dedica da tua vida, né?

Cristiano Zambiasi: É, tem que gostar. É um escravo do trabalho, né? Tem que gostar do que faz. [inaudível], trabalhando à noite. Depois eu acabei adquirindo a parte dos outros dois sócios da empresa do pai, [inaudível].

Voltando ao começo da história, ele começou praticamente sozinho. Depois de um tempo começou a dar certo, começou a ter movimento, e ele acabou trazendo os irmãos de fora para ajudar, dando uma partezinha para cada um.

Depois, nesse caminho, abriram uma filial em São Leopoldo. Alguns anos depois ela foi vendida. [inaudível].


00:03:43

Lizbeth Kossmann: Os guris lá do Italianíssimo trabalhavam no Paçoquinha, é essa a história?

Cristiano Zambiasi: Eram meus primos.

Lizbeth Kossmann: Os três?

Cristiano Zambiasi: Eles eram garçons aqui.

Lizbeth Kossmann: Eles me contaram uma coisa que eu não sabia e que pode até me ajudar nessa pesquisa sobre o xis. Disseram que havia muitos trailerzinhos de xis ali no Centro e que, quando trabalhavam no Paçoquinha, eles iam comer xis nesses trailers.

Cristiano Zambiasi: Sim.

Lizbeth Kossmann: Nesses trailers. Inclusive, eu falei com o pessoal da comunidade alemã, que também vive aqui há muitos anos. Eu perguntei: “Vocês acham que Canoas é a cidade do xis?”. E eles disseram: “Não, eu acho que é a cidade do churrasco, porque tem grandes churrascarias”. Talvez isso também tenha relação com vocês.

Cristiano Zambiasi: Também não tinha muita concorrência. Praticamente era aqui e tinha o Grilo, que não existe mais. Ficava próximo e era conhecido como o Rei do Lombinho, na época.

Lizbeth Kossmann: O Grilo ficava onde? Era aquele [inaudível]?

Cristiano Zambiasi: Não existe mais.

Lizbeth Kossmann: Tinha o lombinho.

Cristiano Zambiasi: Um lombinho legal. Mas a história daqui é mais ou menos isso. Faz o quê? Uns 15 anos que eu estou à frente.

Eu já estava aqui antes, quando meu pai estava doente. [inaudível]. Depois fiz uma proposta para eles. Todos já estavam querendo parar e eu ainda estava com sangue nos olhos.


00:05:45

Lizbeth Kossmann: É puxado, imagino que não seja fácil. Qual tu acha que foi o segredo para o restaurante prosperar tanto e dar tão certo na época?

Cristiano Zambiasi: Eu acho que foi um pouco de inovação na época, né? Não tinha muito esse rodízio no espeto corrido. Foi uma das primeiras casas, eu acho. Pelo que eu sei da história, tem uma ou duas casas só mais antigas. O restaurante começou com o rodízio de espeto corrido. Acho que isso foi o diferencial na época.

Lizbeth Kossmann: E bem feito.

Cristiano Zambiasi: Teve um churrasqueiro aqui que fez parte da história e trabalhou quase quarenta anos com a gente, o Pedrinho.

Lizbeth Kossmann: Ele ainda está trabalhando?

Cristiano Zambiasi: Não trabalha mais. Está aposentado.

Lizbeth Kossmann: Também era de Nova Bréscia?

Cristiano Zambiasi: Ele fez parte da história. Olha, acho que, se não me engano, era de [inaudível].

Lizbeth Kossmann: O senhor Pedrinho?

Cristiano Zambiasi: Trabalhou quarenta anos.

Teve vários garçons também que trabalharam praticamente a vida toda na casa. [inaudível] passou quarenta anos trabalhando. Uma vida, caramba!

Lizbeth Kossmann: E tu também, desde novo?


00:07:21

Cristiano Zambiasi: Eu dei umas revoadas por aí quando era mais novo. Fiz estágio no Banco do Brasil. Depois trabalhei no mercado, em Canoas. Mas, como o pai já não estava muito legal, comecei a ajudar ele. [inaudível]. Já tem mais de vinte anos, acho.

Lizbeth Kossmann: Há mais de vinte anos, então. Tu sente que tem gente que vem de fora só para ir ao Paçoquinha? Tipo: eu saio de Porto Alegre e vou até Canoas só para comer lá?

Cristiano Zambiasi: Tem muita história antiga. As pessoas dizem: “Quando meus pais vinham aqui, me traziam quando eu era pequeno”. Esses dias eu estava lá em Porto Alegre e me disseram [inaudível]. Tem gente que está indo para Gramado ou para o aeroporto e indica o Paçoquinha como um lugar no caminho.


00:08:22

Lizbeth Kossmann: Vocês têm alguma receita que só vocês fazem? Algum jeito de preparar que seja só de vocês?

Cristiano Zambiasi: Olha, o pudim e o sagu são difíceis de bater.

Lizbeth Kossmann: Eu tinha vontade de ir aí. Sagu é um negócio difícil de fazer.

Cristiano Zambiasi: Não é fácil. Tem que ter aquelas coisinhas, o diferencialzinho, que eu não vou contar. Não vou contar o segredo.

Lizbeth Kossmann: Não pode?

Cristiano Zambiasi: Do vinho eu posso falar.

Lizbeth Kossmann: Então tu acha que Canoas é a cidade do xis? Qual é a tua opinião, sendo do ramo?


00:09:10

Cristiano Zambiasi: Na verdade, tem alguns xis bem antigos que eu conheço desde que comecei a comer xis. Fica mais na minha área aqui, como eu te comentei. No Centro tem o X-Rei.

Lizbeth Kossmann: Qual xis?

Cristiano Zambiasi: O X-Rei, na 15 de Janeiro. É bastante antigo e também tem uma história com o antigo dono. Aconteceu uma coisa [inaudível] atrás, com a casinha lá e tal, mas era bastante conhecido. Junto com ele, conheci mais dois xis famosos da época, como o Romani.

Lizbeth Kossmann: Esse eu estou procurando, mas está difícil de achar.

Cristiano Zambiasi: Na verdade, os antigos mesmo acho que estavam numa fase [inaudível].

Lizbeth Kossmann: Eu procurei a Raquel, mas ela ainda não me respondeu. Acho que vou ir até lá. Não posso deixar essa parte de fora.

Cristiano Zambiasi: [inaudível]. O Romani e o Rapach também têm uma história antiga. [inaudível].

Lizbeth Kossmann: Ali eu sei. Eu vou ali com [inaudível].

Cristiano Zambiasi: Sei.

Lizbeth Kossmann: Eu vou ali.

Cristiano Zambiasi: É o xis raiz também, bastante antigo. Era próximo dali também. Hoje está com várias unidades. Mas os três mais antigos que eu conheço em Canoas são esses. Realmente, Canoas é a cidade do xis. Esses três são bem bons e antigos ainda.


00:11:12

Lizbeth Kossmann: Tem um ex-vereador que criou um projeto de lei, que foi aprovado, tornando Canoas a cidade do xis. A gente conversou com ele. A intenção era muito boa: realizar um festival a cada dois anos, reunindo esses empresários para apresentarem e exporem os seus produtos.

Criar uma articulação em torno disso para as pessoas conhecerem, porque Santa Maria já tem esse festival. Inclusive, existe aquela discussão: “O xis de Santa Maria é melhor que o de Canoas” ou “o de Canoas é melhor que o de Santa Maria”, né?

Cristiano Zambiasi: Não.

Lizbeth Kossmann: Essa é uma das coisas que a gente está investigando no nosso projeto: a história disso. Dentro dessa história, é importante ter esses três xis muito tradicionais. Inclusive, um deles virou uma grande empresa, que é o Rapach. Então tem um sentido, né?

Cristiano Zambiasi: E o Antônio.

Lizbeth Kossmann: Seu Antônio, do xis.

Cristiano Zambiasi: Eu vou tentar conseguir [inaudível] o Zé. Conheço o filho dele, o Zezinho, também. Posso tentar conseguir o telefone através de amigos.

Lizbeth Kossmann: Eu agradeceria. Não é fácil encontrar as pessoas. Achei que seria mais fácil.

Cristiano Zambiasi: Eu quase nunca vejo ele por ali. [inaudível]. Sempre teve uma vida mais mansa.


00:13:02

Lizbeth Kossmann: Essa é a nossa questão. A gente quer mostrar isso para a população. Tudo bem, existe a importância do xis, mas tem muito mais do que isso.

Por exemplo, conversei com os ucranianos. Eles fazem um festival com várias comidas russas e ucranianas. Falei com os alemães, que têm receitas antigas e livros em alemão, além das moedas e outros objetos. A gente também está conversando com os italianos, que têm uma comenda e tudo.

Então tem muito mais. Paquetá era um dos meus focos. Eu queria muito conversar com o pessoal de lá, mas está difícil. Quero saber dos pescadores e da história deles. Estou procurando, mas tu vê que a cidade tem muitas coisas além do xis.

É nesse sentido que a gente está trabalhando.

Tem alguma outra contribuição que tu queira dar para nós? E te agradeço muito. Eu sei que o tempo de vocês é precioso.


00:14:28

Cristiano Zambiasi: Agora de manhã é paradão. Até que eu me aperto um pouquinho, mas, quando [inaudível], também fico envolvido na parte da cozinha.

Lizbeth Kossmann: Sim.

Cristiano Zambiasi: Cuido da cozinha e aqui tem um pouquinho de [inaudível]. Eu até posso te encaminhar.

Lizbeth Kossmann: Eu quero ver.

Cristiano Zambiasi: Mas aqui, primeiro, lá atrás, [inaudível]. Ô, João!

Um pouquinho da história. Essa aqui é de mais ou menos 1980 ou 1981. É praticamente a fachada original. Lá no fundo começou essa foto.

Lizbeth Kossmann: Tu tem ela digital?

Cristiano Zambiasi: Eu tenho, tenho.

Lizbeth Kossmann: Tu poderia me mandar?

Cristiano Zambiasi: [inaudível].

Lizbeth Kossmann: [inaudível].

Cristiano Zambiasi: Para o fundo, aí começou a obra, que é essa aqui, a extensão do salão. No caso, [inaudível]. Essa parte de trás [inaudível] os apartamentos. Era a casa onde o pai morou.

Lizbeth Kossmann: Depois tem [inaudível].

Cristiano Zambiasi: Agora só falta atualizar as últimas fachadas. Depois tem uma outra aqui, legal.

Cristiano Zambiasi: Essa aqui é uma outra, um pouquinho mais recente.

Lizbeth Kossmann: Um pouco mais recente.

Cristiano Zambiasi: Sim. Agora a gente fez outras. Acabamos de [inaudível].


00:16:14

Cristiano Zambiasi: Agora tem uma outra fachada, que praticamente ainda não tem uma foto legal. A gente fez uma bem diferente, completamos com LED e fizemos uma abertura para a parte externa da churrasqueira. Aí adquiri uma churrasqueira campeira.

Lizbeth Kossmann: Que legal.

Cristiano Zambiasi: Essa churrasqueira fica à esquerda para quem vê de fora, assando os costelões inteiros ali.

Lizbeth Kossmann: Que tri esse costelão! Olha, que legal, cara!

Cristiano Zambiasi: Já que estamos on-line aqui, eu cheguei até lá [inaudível].

Daqui também, para o salão, no inverno a gente adquiriu esses espetos de ovelha. Então puxou [inaudível].

Lizbeth Kossmann: Claro, claro.

Cristiano Zambiasi: À noite fica legal.

Lizbeth Kossmann: De noite vocês servem churrasco também?

Cristiano Zambiasi: Também. E aqui eu vou te [inaudível].

Lizbeth Kossmann: É muito legal.

Cristiano Zambiasi: É uma vitrine para a rua.

Lizbeth Kossmann: Eu nem sabia que existia isso.

Cristiano Zambiasi: Essa peça eu busquei em Camboriú.

Lizbeth Kossmann: Caramba!

Cristiano Zambiasi: Trouxe em cima do carro, pendurada.

Lizbeth Kossmann: Lá na minha cidade eles cavavam um negócio no chão mesmo.

Cristiano Zambiasi: Bem legal.


00:17:58

Lizbeth Kossmann: Então, Cristiano, muito prazer em te conhecer e muito obrigada pelo teu tempo. Tudo que a gente conversou aqui ficou gravado. Eu te peço, por gentileza, que tu me mande essas fotos.

Cristiano Zambiasi: Certo.

Lizbeth Kossmann: E, se tiveres uma foto tua que tu goste, pode me mandar também, para eu colocar junto no site, ali no arquivo.

Cristiano Zambiasi: Tenho aqui.

Lizbeth Kossmann: Ótimo. Daí eu vou colocar no artigo, vou botar a foto, e isso fica registrado e documentado. [inaudível]. Depois eu vou te mandar o link.

A ideia também é fazer um post no nosso Instagram. Eu vou te mandar. Então, quando a gente tiver a foto, já conseguimos fazer isso, tá joia?

Muito obrigada. Depois te mando o texto. Valeu. Tchau, tchau.

Cristiano Zambiasi: Tchau.

Cristiano Zambiasi: Tá.

Sobre o autor

Adelino Bilhalva

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