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De Nova Bréscia a Canoas: a família Valgoi e a história do Italianíssimo

De Nova Bréscia a Canoas: a família Valgoi e a história do Italianíssimo

Entrevista: Lizbeth Kossmann
Fotos: Gabriel Teixeira

Antes de assumir um dos restaurantes mais antigos de Canoas, os irmãos trabalharam como garçons e repetiram, à sua maneira, uma trajetória seguida por milhares de moradores de uma pequena cidade do Vale do Taquari.

Nova Bréscia é uma cidade pequena com uma presença desproporcional na história dos restaurantes brasileiros. Colonizada por famílias de origem italiana, ela ficou conhecida não apenas pelo churrasco, mas pela quantidade de garçons, assadores e proprietários de restaurantes que enviou para outras partes do Brasil e do mundo. A chamada saga dos churrasqueiros ganhou força a partir da década de 1960, quando moradores deixaram as propriedades rurais e partiram em busca de trabalho. Um dos pioneiros foi Albino Ongaratto, apontado como um dos responsáveis pela difusão do espeto corrido, que saiu de Nova Bréscia em 1967 e abriu uma churrascaria às margens da BR-116, no interior de São Paulo. O caminho passou a ser repetido por muitos conterrâneos: primeiro o trabalho como copeiro, depois o salão, o domínio do ofício e, em alguns casos, a abertura do próprio negócio. Estimativas locais chegaram a contabilizar cerca de 10 mil brescienses vivendo fora do município, boa parte deles ligada a churrascarias e restaurantes.

 

O fenômeno foi registrado pelo diretor Matheus Mombelli no documentário Os Churrasqueiros de Nova Bréscia, realizado depois de oito diárias de gravação e visitas a 12 churrascarias. O filme acompanha uma rede construída por parentes, amigos e conhecidos que saíam do interior chamados por alguém que já havia conseguido se estabelecer. Em um dos casos mais emblemáticos, um ônibus partiu de Nova Bréscia levando jovens para trabalhar em uma churrascaria no Rio de Janeiro. Muitos deles permaneceram na cidade, aprenderam o negócio e mais tarde abriram suas próprias casas. Por isso, sobrenomes, histórias familiares e até nomes de restaurantes voltam a aparecer em cidades distantes umas das outras. A expansão não ocorreu por meio de grandes planos empresariais, mas por uma sucessão de convites, empregos e sociedades. O restaurante funcionava como porta de entrada para quem chegava e como escola para quem pretendia avançar.

A história da família Valgoi em Canoas pertence a esse mesmo movimento, embora não tenha resultado em uma churrascaria. Renato José Valgoi veio de Nova Bréscia e, ao lado dos irmãos, encontrou trabalho no setor de alimentação. Renato e Celso trabalhavam como garçons no Paçoquinha, restaurante conhecido da cidade, quando souberam que os proprietários de outra casa, localizada na Rua Coronel Vicente, pretendiam deixar o negócio. A família não tinha dinheiro suficiente para fazer a compra, mas decidiu procurar os donos mesmo assim. Na entrevista concedida ao projeto Canoas, Memória Gastronômica, Renato resumiu o começo com uma frase bastante direta: eles entraram “sem uma moeda no bolso”, fizeram um acordo e assumiram o compromisso de pagar depois. Uma reportagem publicada pelo Jornal do Comércio acrescenta os detalhes da negociação: os irmãos compraram o estoque e o ponto, alugaram inicialmente a marca e, seis meses depois, conseguiram reunir o valor necessário para adquiri-la definitivamente. Desde 1989, o Italianíssimo é comandado por Renato, Celso e Fátima Valgoi, junto com o cunhado Fernando Spinelli.

Segundo a memória de Renato, o estabelecimento anterior era conhecido como Casa de Pão e Vinho. A família não começou, portanto, com uma sala vazia e uma marca desenhada do zero. Assumiu uma casa que já possuía história, público e uma ideia de cozinha, preservando parte do que havia recebido e modificando o restante conforme as necessidades do mercado. O Italianíssimo funcionava inicialmente do outro lado da Rua Coronel Vicente. Em 2004, quando o espaço já não comportava o movimento, atravessou a rua e passou a ocupar um imóvel maior, no número 260, onde permanece. A mudança parece pequena quando medida em metros, mas representa uma etapa importante para qualquer negócio familiar: a passagem de uma operação sustentada por acordos e pagamentos futuros para uma sede própria, ampla o suficiente para receber centenas de pessoas em uma noite. O restaurante que começou apenas com pizzas à la carte adotou o rodízio em 1997 e ampliou progressivamente sua operação, mantendo o serviço noturno e consolidando o buffet de almoço.

Marcava-se o encontro no xis, encerrava-se a noite no xis e, muitas vezes, era ao redor daqueles trailers que as conversas continuavam quando os outros lugares já haviam fechado.

A Canoas encontrada pelos Valgoi no fim dos anos 1980 já possuía uma vida gastronômica popular. Pelo relato de Renato, é possível reconstituir parte daquele cenário. Os trailers de xis funcionavam como pontos de encontro, lugares para onde os jovens seguiam depois de sair à noite. Não eram apenas estabelecimentos onde se comprava um lanche. Eram referências urbanas. Marcava-se o encontro no xis, encerrava-se a noite no xis e, muitas vezes, era ao redor daqueles trailers que as conversas continuavam quando os outros lugares já haviam fechado. O pão prensado, o hambúrguer, o ovo, o queijo, a maionese e os demais recheios formavam uma refeição grande, relativamente acessível e adequada a uma cidade de trabalhadores, estudantes e jovens em circulação. Renato não reivindica a invenção do lanche para Canoas, mas reconhece a força que ele adquiriu na cidade. Em sua lembrança, havia mais estabelecimentos dedicados ao xis do que em outros municípios, e o hábito de comê-lo após a noite transformou o produto em parte da rotina de uma geração. Décadas depois, essa relação seria oficializada pela Lei Municipal nº 5.990, de 7 de janeiro de 2016, que reconheceu Canoas como cidade de referência do xis gaúcho, criou o Dia do Xis, celebrado em 28 de maio, e previu a realização de um festival dedicado ao lanche.

Esse contexto ajuda a entender a posição do Italianíssimo na cidade. A família de Nova Bréscia não chegou a um território sem hábitos alimentares próprios. Chegou a uma Canoas em que o xis ocupava as ruas, enquanto restaurantes, churrascarias e pizzarias começavam a atender uma população urbana em crescimento. O Italianíssimo participou dessa passagem para uma oferta gastronômica mais ampla. No começo, havia as pizzas à la carte e a venda de produtos coloniais, como queijos e vinhos. Depois vieram o rodízio, o buffet, os grelhados, as massas e outras opções. Mais recentemente, uma pequena ilha de sushi passou a dividir espaço com esse repertório. A presença do sushi pode parecer estranha em uma casa cujo nome promete comida italiana, mas diz algo sobre o mercado gastronômico de Canoas, no qual restaurantes tradicionais passaram a reunir cozinhas diferentes para atender a um público que valoriza variedade. O Italianíssimo já não cabe literalmente dentro do próprio nome. Ainda assim, sua identidade parece estar menos na fidelidade rigorosa a uma culinária nacional e mais no formato de restaurante familiar que serve refeições abundantes, recebe grupos grandes e procura acompanhar os hábitos de consumo sem abandonar inteiramente o que o tornou conhecido.

A permanência também depende de uma estrutura que raramente aparece nas fotografias dos pratos. Renato conta que o restaurante desenvolveu misturas próprias de temperos e procedimentos que devem ser seguidos mesmo quando há mudanças na cozinha. O objetivo é impedir que a comida se transforme cada vez que um funcionário entra ou sai. Parte da equipe, no entanto, quase não mudou. Há colaboradores com cerca de uma década de trabalho na casa e um garçom que, segundo Renato, está no Italianíssimo há aproximadamente 20 anos. A longevidade desses vínculos importa para a memória do restaurante, mas também para a economia da cidade. Um estabelecimento que atravessa décadas mantém empregos, compra de fornecedores, contrata serviços e forma trabalhadores. Os proprietários continuam presentes na operação diária. Celso pode ser encontrado acompanhando o buffet e a pesagem dos pratos; Renato, no caixa ou conversando com os clientes. Nas noites de maior movimento, especialmente às sextas-feiras e aos sábados, o restaurante chega a receber cerca de 300 pessoas.

Essa estrutura foi colocada à prova em maio de 2024. Segundo reportagem de Júlia Fernandes publicada pelo Jornal do Comércio, das janelas do Italianíssimo era possível acompanhar a água avançando pela Rua Coronel Vicente até chegar a cerca de uma quadra do restaurante. Embora o prédio não tenha sido inundado, o negócio permaneceu fechado por mais de um mês para acolher as famílias dos funcionários atingidos pela enchente. Quando voltou a funcionar, a reabertura também respondeu a uma necessidade da cidade, já que poucos estabelecimentos serviam almoço naquele momento. Em dois estabelecimentos tradicionais do Centro, a estrutura criada para receber clientes precisou assumir temporariamente outra função: servir de abrigo para pessoas ligadas a quem mantinha os negócios funcionando todos os dias. A enchente afetou o movimento, interrompeu operações e prolongou seus efeitos sobre a economia local, mas também revelou que, em empresas familiares antigas, a relação entre proprietários, trabalhadores e parentes costuma ultrapassar os limites formais do emprego.

A história do Italianíssimo não é a de uma receita preservada sem alterações, nem a de uma tradição familiar trazida pronta de Nova Bréscia. É uma história de trabalho aprendido no salão, de uma oportunidade aceita sem capital disponível e de uma casa antiga que passou para as mãos de uma nova família. Ao longo do tempo, o cardápio mudou, o rodízio substituiu o serviço exclusivamente à la carte, o restaurante atravessou a rua, ampliou o buffet e incorporou hábitos que não existiam quando os Valgoi começaram. Ainda assim, permaneceu reconhecível para a cidade. A trajetória ajuda a mostrar que tradição não é ausência de mudança. Em negócios familiares, tradição é conseguir mudar sem romper completamente com o lugar, com os trabalhadores e com a história que permitiu chegar até ali. Nova Bréscia enviou seus moradores para cozinhas e salões espalhados pelo mundo. Em Canoas, uma dessas famílias encontrou trabalho, assumiu um restaurante que não podia pagar e fez dele parte da paisagem da cidade. ▉

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Entrevista com Renato Valgoi do Italianíssimo

Entrevistadora: Está me ouvindo? Alô?

Renato Valgoi: Oi. Agora está me ouvindo?

Entrevistadora: Agora, sim. Oi, Renato.

Renato Valgoi: Bom dia. Tudo bem? Você consegue ver a minha imagem?

Entrevistadora: Não estou conseguindo.

Renato Valgoi: Como é que eu faço?

Entrevistadora: Acho que você precisa clicar ali. Agora foi. Agora conseguimos nos ver. Muito obrigada pelo seu tempo, que eu sei que é precioso para todos nós.

Renato Valgoi: Não, que isso. É um prazer.

Entrevistadora: Não sei se você se lembra da gente.

Renato Valgoi: Sim. Vocês já fizeram um trabalho para nós, uma divulgação. Eu lembro. Minha irmã já falava disso.

Entrevistadora: Faz tempo.

Renato Valgoi: Sim.

Entrevistadora: Deixa eu explicar o que estamos preparando. Nós fomos contemplados em um edital da Prefeitura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, sobre o patrimônio histórico e cultural da cidade de Canoas. A nossa proposta é investigar a identidade gastronômica de Canoas. Queremos entender o que faz Canoas ser esse polo gastronômico com identidade própria. É apenas a cidade do xis, como dizem, ou existem outras raízes mais profundas?

Preparei uma lista de perguntas para vermos quais informações podemos trazer para essa pesquisa. Como o Italianíssimo é um estabelecimento muito tradicional de Canoas, não poderíamos deixar de falar com vocês.

Renato Valgoi: Sim.

Entrevistadora: Para você ter uma ideia, já entrevistamos descendentes de ucranianos de Canoas, e foi muito interessante. A Alana, que mora aqui, aprendeu alguns pratos com a avó ucraniana. Eu ainda não sei pronunciar o nome dos pratos, mas tudo estará no site.

Estamos fazendo uma pesquisa inédita para mostrar que não existe apenas o xis. Há muita coisa mais profunda. Já falamos com representantes da comunidade alemã, com o dono da Taberna do Gato 2 e agora estamos falando com você.

Primeiramente, poderia dizer seu nome, quem são os sócios, em que ano vocês começaram e de onde veio a ideia do Italianíssimo? Sei que vocês trabalham com almoço ao meio-dia e pizza à noite.

Renato Valgoi: Meu nome é Renato José Valgoi. Sou um dos sócios do restaurante Italianíssimo, junto com meu irmão, meu cunhado e minha irmã.

Estamos com o Italianíssimo desde a virada dos anos 1990. A casa já existia e era chamada Casa de Pão e Vinho. Inclusive, posso mandar fotografias antigas.

Nós adquirimos o restaurante e seguimos com a tradição da casa. Ao mesmo tempo, fomos procurando nos atualizar de acordo com o mercado.

Estamos nesta sede há 19 anos. Antes, funcionávamos praticamente em frente, na mesma rua. Depois conseguimos adquirir a sede própria e seguimos com o restaurante.

Fomos nos adaptando. O almoço comercial já existia. À noite, atualmente temos pizzas e também uma variedade de pratos de sushi. Seguimos procurando manter a tradição do ramo.

Também não podemos esquecer o público que nos prestigia desde aquela época. Os clientes tiveram filhos, e esses filhos se tornaram nossos clientes. Então seguimos como uma casa de tradição familiar.

Passamos por momentos melhores e momentos mais difíceis, mas continuamos aqui com esta casa tradicional, o Italianíssimo, em Canoas.

A história do xis em Canoas também é muito tradicional. Muitos anos atrás, talvez nas décadas de 1970 ou 1980, os principais pontos de encontro da cidade eram os locais que vendiam xis. Os jovens se encontravam ali e aquilo virou um sucesso e uma tradição.

Havia os encontros dos jovens, todos iam para esses lugares. A maioria entrou nessa tradição de se encontrar para comer xis. Foi assim que essa cultura nasceu e segue até hoje. Tanto que já foi criado o Dia do Xis e a data entrou no calendário da cidade.

O xis de Canoas realmente é muito bom.

Entrevistadora: Nós conversamos com o vereador César, responsável pela lei.

Renato Valgoi: Sim. E nós seguimos aqui com o restaurante.

Temos uma agência que trabalha com a nossa publicidade. Gravei recentemente um conteúdo para o Dia dos Namorados. Depois vou mandar os vídeos e as fotografias antigas para vocês.

Entrevistadora: Eu vou querer, sim. Muito obrigada.

Renato Valgoi: O Italianíssimo segue conosco, mas já existia anteriormente. Estamos ali desde a virada dos anos 1990, dando continuidade àquela tradição.

A família de vocês também nos prestigia. Isso é muito bom. Procuramos manter a qualidade e o atendimento.

Entrevistadora: Vi o prefeito aí esses dias, Renato.

Renato Valgoi: Sim. O Airton Souza é nosso amigo e costuma almoçar aqui. O Jairo Jorge também nos prestigiava anteriormente e vinha seguido. O atual prefeito de Canoas também frequenta o restaurante e costuma buscar almoço aqui.

Entrevistadora: Que legal. Antes de continuarmos, desculpe interromper. Vocês são de qual cidade do interior? O sotaque não mente. Eu também sou do interior, do norte do estado. De onde vocês são?

Renato Valgoi: Nova Bréscia.

Entrevistadora: Nova Bréscia.

Renato Valgoi: Isso. Fica perto de Encantado e Lajeado.

Entrevistadora: Quantos anos vocês tinham quando vieram para Canoas?

Renato Valgoi: Na realidade, nós já viemos do ramo. Éramos funcionários do restaurante Paçoquinha. Trabalhávamos como garçons.

A partir dali surgiu a ideia de termos nosso próprio restaurante. O Italianíssimo estava ali, o proprietário anterior não queria mais continuar com o negócio, e acabamos entrando em um acordo.

Assumimos sem uma moeda no bolso, mas conseguimos.

Entrevistadora: Vocês foram pagando depois.

Renato Valgoi: Isso. Depois cumprimos o que havíamos prometido.

Entrevistadora: Vocês moram em Canoas desde sempre?

Renato Valgoi: Não. Viemos do interior. Estamos com o Italianíssimo há cerca de 35 anos, mas já morávamos e trabalhávamos aqui havia aproximadamente dez anos.

Entrevistadora: Entendi. Vocês moram na região central ou em outro bairro?

Renato Valgoi: Moramos aqui na região, bem próximos do restaurante.

Entrevistadora: Você mencionou a questão de comer xis. Naquela época, os estabelecimentos funcionavam na rua, não eram como hoje, com mesas para sentar e comer. Eram mais parecidos com o Romani e o Rapach?

Renato Valgoi: Isso. Havia os trailers. Antigamente eram chamados de trailers. Existia aquele pátio, [inaudível].

Entrevistadora: E vocês eram jovens. Então a diversão de vocês era sair e depois comer um xis?

Renato Valgoi: Sim. O tradicional era sair e depois ir comer xis.

Em outras cidades havia mais bares e outros tipos de estabelecimentos. Aqui, o xis ficou muito presente na cabeça dos jovens e acabou virando uma tradição. Onde o povo vai e gosta, o costume permanece.

Entrevistadora: Você acha que Canoas realmente é a cidade do xis?

Renato Valgoi: Pelo que conheço, Canoas é uma das cidades que mais têm estabelecimentos vendendo xis. É a que mais tem xis.

Entrevistadora: Foi o que o vereador César nos contou. A grande quantidade de estabelecimentos também foi um dos fatores para a aprovação da lei.

Deveria existir um festival do xis para chamar pessoas de outras cidades. Algo como: “Vamos à cidade do xis comer um xis”. Mas isso acabou não tendo continuidade.

As receitas de vocês são muito boas. Existe alguma história de receitas passadas entre gerações? Alguma lembrança afetiva da nona ou da mãe?

Renato Valgoi: Nós já trabalhávamos em restaurantes antes de vir para cá e procuramos manter sempre o mesmo padrão de temperos e de cozinha.

Também fomos fazendo mudanças. Nas frituras e nos demais pratos, procuramos eliminar o máximo possível de gordura. Fomos aprendendo no dia a dia, lendo e observando.

Os temperos seguem um padrão. Temos uma mistura de temperos usada na cozinha. Os funcionários podem entrar, sair ou mudar, mas precisam seguir aquele padrão.

Entrevistadora: Você tem pelo menos dois funcionários que estão ali há cerca de dez anos. Sempre que chego, encontro o rapaz que ajuda a estacionar e a moça da recepção.

Renato Valgoi: Sim. Temos também um garçom, conhecido como Alemão, que está conosco há cerca de 20 anos. É uma equipe antiga e de confiança.

Entrevistadora: Você se lembra de onde compravam os alimentos quando começaram? Havia algum armazém na esquina com preços melhores ou algum lugar específico onde encontravam produtos que não existiam em outros estabelecimentos? Estamos procurando também comércios históricos, inclusive alguns que talvez já tenham fechado.

Renato Valgoi: Desde aquela época já existiam distribuidoras de alimentos e bebidas. Sempre trabalhamos com estoque regulado.

Eventualmente, precisávamos buscar alguma coisa em uma emergência, mas normalmente trabalhávamos com as distribuidoras. Assim também conseguíamos comprar produtos mais confiáveis.

Entrevistadora: Entendi. Isso também envolve a questão sanitária.

Ouvi você falando que começou a produzir vídeos para o Instagram. É isso?

Renato Valgoi: Sim. Comecei a gravar alguns conteúdos. Ainda estou no começo. Vou mandar dois vídeos que já estão no ar.

O primeiro não ficou muito bom. O segundo, para o Dia dos Namorados, já foi feito com uma mentoria. Nele estou usando uma camisa preta. Vou mandar os dois vídeos e as fotografias antigas.

Entrevistadora: Ótimo. E o público gostou? Vi pessoas comentando que tinham gostado dos vídeos.

Renato Valgoi: Ainda nem olhei quantas visualizações tiveram. Eu estava até com medo de que fossem rejeitados.

Entrevistadora: Não, ficaram bons.

Muito obrigada, Renato. Acho que agora já temos o material necessário.

Renato Valgoi: Eu que agradeço, de coração. Fiz isso com muito carinho. E parabéns por vocês terem sido contemplados no edital.

Entrevistadora: Só para explicar como esse conteúdo será utilizado: gravamos a conversa e vamos produzir um artigo sobre o Italianíssimo. Com as fotografias que você disponibilizar e com a transcrição da entrevista, conseguiremos escrever a matéria.

O texto ficará em um arquivo digital, no site que faz parte da contrapartida do projeto. Esse arquivo reunirá toda a pesquisa e ficará disponível por, no mínimo, dez anos.

Depois enviaremos o link para vocês. Assim poderão compartilhar nas redes sociais e também guardar o material.

Renato Valgoi: Muito bom. Obrigado.

Entrevistadora: Muito obrigada, Renato. Um beijo. Tchau.

Renato Valgoi: Obrigado. [inaudível]

 
 
Sobre o autor

Adelino Bilhalva

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