Como a comunidade ucraniana mantém viva sua identidade em Canoas
Adelino Bilhalva
- junho 1, 2026
- 61 min read
Quando se fala em imigração no Rio Grande do Sul, os holofotes costumam apontar para alemães e italianos. Mas caminhando pelas ruas do bairro Niterói, em Canoas, existe uma história menos conhecida que atravessou guerras, fronteiras e oceanos antes de encontrar abrigo às margens do Rio dos Sinos. Ela começa na Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial e continua, até hoje, em mesas fartas de varênyky, sopas vermelhas fumegantes, pães festivos e receitas que sobreviveram a quase oito décadas de distância da terra onde nasceram.
Fotos: Gabriel Teixeira
Entrevista: Lizbeth Kossmann
A comunidade ucraniana de Canoas surgiu por volta de 1948, quando famílias refugiadas chegaram ao Brasil em busca de um recomeço. Muitos encontraram trabalho em um frigorífico instalado próximo ao rio, numa região que ainda possuía amplos campos e baixa ocupação urbana. Acostumados aos invernos rigorosos da Europa Oriental, esses imigrantes se adaptaram com relativa facilidade ao trabalho em ambientes refrigerados e acabaram construindo suas vidas no bairro Niterói. Ali ergueram casas, criaram famílias e lançaram as bases de uma comunidade que permanece ativa até hoje.
Entre os descendentes dessa geração está Swetlana Margaret Cvirkun Urbanski, conhecida por todos simplesmente como Lana. Enfermeira e atual presidente da paróquia ucraniana local, ela pertence à terceira geração da família nascida em solo brasileiro. Seus pais chegaram ao país ainda crianças, acompanhando os avós que fugiam das consequências da guerra. Hoje, seus filhos e netos continuam participando das atividades culturais da comunidade, demonstrando como essa herança atravessou o tempo sem perder suas raízes.
Pouco depois da chegada ao Brasil, os imigrantes perceberam que precisavam de um espaço capaz de reunir não apenas a fé, mas também a cultura que haviam trazido consigo. Surgiu então a igreja, seguida pelo salão comunitário. Ao redor dessas estruturas nasceu uma rede de convivência que ajudou a preservar idioma, música, dança, religiosidade e gastronomia. Atualmente a comunidade reúne cerca de sessenta famílias e mantém uma agenda regular de atividades religiosas e culturais, mesmo sem contar com um padre residente. Sacerdotes vindos de Curitiba e da Igreja Grega visitam periodicamente a paróquia para celebrar missas e acompanhar a comunidade.
Quem visita o espaço percebe rapidamente que a preservação cultural acontece de forma menos solene do que se imagina. Ela está nos detalhes. Nos ícones religiosos espalhados pela igreja. Nos bordados geométricos presentes nas roupas tradicionais. Nas receitas guardadas por décadas. Nas panelas ocupando o fogão da cozinha comunitária. E nas conversas que acontecem enquanto alguém prepara um prato para mais um almoço coletivo. Em muitos lugares, tradições acabam restritas a apresentações ocasionais ou datas comemorativas. Em Niterói, elas continuam integradas à rotina.
Entre as iniciativas responsáveis por essa continuidade está o grupo folclórico Solovei. Criado há mais de vinte e cinco anos, ele reúne descendentes de diferentes gerações em torno da dança tradicional ucraniana. Ao longo de sua trajetória, o grupo realizou apresentações em diversas regiões do Brasil e também no exterior. Mais do que uma atividade artística, tornou-se uma ferramenta de transmissão cultural, aproximando crianças e jovens de costumes que poderiam se perder com o passar do tempo.
Mas talvez nenhum elemento seja tão eficiente para preservar a memória quanto a comida. Quando perguntada sobre a lembrança gastronômica mais marcante da infância, Lana não respondeu citando uma receita. Falou da avó. Foi com ela que passou grande parte dos primeiros anos de vida. A avó, que falava predominantemente ucraniano e teve dificuldade de aprender português mesmo após décadas vivendo no Brasil, preparava os pratos tradicionais da família enquanto transmitia, sem perceber, muito mais do que técnicas culinárias. Transmitia pertencimento.
Em quase todas as histórias sobre comida que surgiram durante a conversa, uma figura aparecia repetidamente: a avó.
Em quase todas as histórias sobre comida que surgiram durante a conversa, uma figura aparecia repetidamente: a avó. Não por acaso. Grande parte do conhecimento culinário da comunidade foi transmitido por mulheres que chegaram ao Brasil carregando poucas malas, mas muitas receitas na memória. Algumas delas jamais escreveram um livro ou um caderno de receitas. Ainda assim, conseguiram ensinar técnicas, sabores e modos de preparo que atravessaram gerações e permanecem presentes até hoje.
Entre essas receitas está o varênyky, considerado um dos pratos mais emblemáticos da culinária ucraniana. São pequenos pastéis de massa cozida, tradicionalmente recheados com batata e servidos com nata. Diferentemente de muitos salgados conhecidos pelos brasileiros, eles não são fritos. O cozimento produz uma textura delicada que combina com o recheio simples e reconfortante. Outro clássico é o borsch, chamado por muitos descendentes simplesmente de borche. Preparado com beterraba, repolho e carne, ele possui uma coloração intensa que se tornou uma das marcas registradas da culinária ucraniana. Mais do que uma receita, ele revela muito sobre a vida em regiões de inverno rigoroso, onde ingredientes como batata, repolho e beterraba precisavam ser armazenados por longos períodos para garantir alimento durante os meses mais frios do ano
Nem tudo chegou ao Brasil exatamente da mesma forma. Algumas adaptações foram inevitáveis. Certos ingredientes utilizados na Ucrânia são difíceis de encontrar por aqui. O repolho fermentado tradicional, por exemplo, depende de condições específicas que nem sempre podem ser reproduzidas da mesma maneira. Temperos como o endro também exigem substituições ocasionais. Ainda assim, essas mudanças não descaracterizaram a culinária. Pelo contrário. Elas contam a própria história da imigração, mostrando como uma tradição consegue sobreviver sem permanecer congelada no tempo.
Entre os pratos lembrados por Lana está também o Cutiá, sobremesa preparada com trigo sarraceno cozido, mel, castanhas, nozes, damascos e uvas-passas. O preparo ocupa lugar importante nas celebrações familiares e exemplifica uma característica comum da culinária ucraniana: a combinação de ingredientes simples com sabores intensos e simbólicos. Ao lado dele aparecem também os pãezinhos assados recheados com maçã ou uvas pretas, doces que permanecem presentes na memória afetiva de muitos descendentes.
Algumas receitas aparecem apenas em ocasiões especiais. É o caso do Karavai, pão tradicional dos casamentos ucranianos. Decorado com flores, tranças, folhas e pombas moldadas na própria massa, ele funciona quase como uma escultura comestível. Depois de assado, recebe uma camada de gema que lhe confere brilho dourado. Cada elemento decorativo possui significado simbólico relacionado à prosperidade, à união e à fertilidade do casal. É o tipo de alimento que ultrapassa a função de nutrir para se tornar parte do ritual.
Uma parte importante desse patrimônio foi registrada em livro. Há cerca de uma década, integrantes da comunidade colaboraram com uma pesquisa acadêmica que resultou na publicação de uma coletânea de receitas tradicionais ucranianas. O trabalho reuniu fotografias, relatos e modos de preparo transmitidos oralmente por gerações. Mais do que um livro de receitas, tornou-se um documento histórico capaz de preservar conhecimentos que poderiam se perder com o tempo.
A vida comunitária continua girando em torno de um calendário anual de celebrações. Há os almoços da quaresma, a festa da padroeira Santíssima Trindade, as comemorações da independência da Ucrânia em agosto e os encontros de Natal e Páscoa. Na Páscoa, os alimentos são levados à igreja para serem benzidos antes de serem compartilhados entre familiares. Entre eles está a Pascha, pão festivo tradicional, além dos ovos pintados que fazem parte da tradição pascal. Já no Natal, permanece viva a tradição de servir oito pratos típicos à mesa.
Nem mesmo as bebidas escapam da tradição. Lana recorda a Horilka, uma vodka preparada artesanalmente com infusão de pimenta e um toque de mel. Em antigas tradições familiares, ela era consumida antes de refeições quentes durante o inverno. Em alguns casos, acompanhada até mesmo de um dente de alho cru. Mais do que uma curiosidade gastronômica, o costume ajuda a compreender como alimentação e clima sempre caminharam juntos na cultura ucraniana.
Ao final da conversa, surgiu uma reflexão sobre Canoas. Lana lamentou que a cidade não possua mais eventos permanentes dedicados às diferentes comunidades culturais que ajudaram a construí-la. Talvez tenha razão. Histórias como a da comunidade ucraniana mostram que a gastronomia não é apenas uma questão de sabor. Ela é também uma forma de preservar memória, identidade e pertencimento. Quase oitenta anos depois da chegada dos primeiros refugiados ao bairro Niterói, suas receitas continuam sendo preparadas, seus costumes continuam sendo praticados e sua história continua sendo compartilhada à mesa. Talvez seja justamente aí que resida o verdadeiro patrimônio gastronômico de uma cidade: não apenas nos pratos que ela inventa, mas nas histórias que consegue preservar.
Minidoc Ucranianos
Entrevista completa
Transcrição completa da Entrevista
TRANSCRIÇÃO REVISADA
Entrevista com Swetlana Cvirkun sobre a comunidade ucraniana de Canoas
27 de maio de 2026
Nota editorial: foram removidos os timestamps, vícios de linguagem, repetições e interjeições sem conteúdo. As falas fragmentadas de cada participante foram reunidas em parágrafos, preservando o sentido da conversa. Termos claramente reconhecíveis foram padronizados; trechos sem confirmação segura foram marcados como inaudíveis.
Lizbeth Kossmann: Ótimo. Então, eu gostaria que tu pudesse assim nos dizer primeiramente teu nome e qual é a tua ocupação e um pouco dessa comunidade, como é que ela se estabeleceu em Canoas e quais são as atividades que hoje vocês fazem.
Swetlana Cvirkun: Bom, meu nome é Swetlana Margaret Cvirkun Urbanski. É bem complicado. então as pessoas me chamam de Lana. eu sou enfermeira, mas brasileira, nasci aqui e tenho pais descendentes de ucranianos, pais ucranianos. Os meus pais vieram para o Brasil junto com os pais deles. Eles tinham 10 anos. A história dos dois assim é bem parecida. Após a guerra havia necessidade, foi oferecido para que eles viessem para algum lugar. Eles eram refugiados da Segunda Guerra Mundial. E eles aceitaram vir para o Brasil. Vieram para o Brasil e ofereceram a Ia Canoas, que era uma cidade que na época, por volta de 1948, tinha muitos campos, não era tão povoada como agora. E na beira do rio Camacuã havia um frigorífico de processamento de carnes, matavam os bois, né? E eles tinham muita dificuldade de conseguir funcionários, porque o frigorífico é é gelado e as pessoas não ficavam muito tempo. E meu, assim como meus pais, vieram tantos outros facilmente conseguiram emprego nesse frigorífico porque suportavam o frio com maior facilidade e ali construíram suas famílias, casas e tudo mais no bairro de Niterói. Como havia uma grande população de ucranianos que vieram na época, logo eles sentiram necessidade. Tô, tô fazendo um resumão, né? logo sentiram necessidade de ter um espaço religioso, espiritual, como esses ucranianos que estavam ali eram ortodoxos de origem, eles, logo se mobilizaram e adquiriram um terreno. E nesse terreno foi construída a primeira igreja. E isso faz em torno de 80, 70 e poucos anos. 77 anos. e ali então construíram a igreja, depois o salão, eram estruturas de madeira que duraram um tempo, depois foram substituídas e eu acredito que agora seja a igreja da terceira terceira ou quarta substituição, assim, modernização, mas já faz uns 20 anos que foi modernizado. E então ali tinham a sua parte religiosa e também a parte cultural. Como todos saíram refugiados da Ucrânia, havia aquela e existe até hoje essa necessidade de perpetuar cultura através de danças, através de cantos, através da música e através da gastronomia, tá? Então, hoje, nesse momento, nós estamos sem um padre fixo. Então, o padre vem de Curitiba, do Paraná de vez em quando, e nós temos um padre da igreja grega que também é ortodoxo, que faz missas ali. Nós temos, então, atividades religiosas e também culturais. Participamos de feiras, a Feira das Nações que acontece em Porto Alegre, participamos de tudo que envolve etnias, tá? Agregado à paróquia, agregado à comunidade, nós temos o grupo grupo folclórico Solovei.
Lizbeth Kossmann: Eu acho que eu vi um vídeo, Lana no YouTube bem
Swetlana Cvirkun: Então o grupo Solovei também tem mais de tem 25 anos e é é bem forte assim na área de danças. já viajou para o exterior, viajou para vários locais aqui do Brasil. Então também desenvolve essa parte folclórica da dança e nós desenvolvemos a gastronomia.
Lizbeth Kossmann: Ah, agora que chega a nossa parte.
Swetlana Cvirkun: Claro que talvez da mesma é o que eu vou te
Lizbeth Kossmann: Eba!
Swetlana Cvirkun: dizer assim? não deve não é tão forte como no passado, mas nós perpetuamos assim as receitas e o que a gente faz hoje? Os nossos almoços da paróquia sempre têm pratos da gastronomia ucraniana e nós também fazemos para vender, né? Uma é, a gente tem alguns pratos que são comercializados,
Lizbeth Kossmann: Faz tempo isso.
Swetlana Cvirkun: Assim, não é, não vendemos para restaurantes, né? Mas assim, entre a própria comunidade tem uma demanda que prefere comprar do que fazer. Quem veio para o Brasil foram os meus avós, tá? E meus pais. Meus pais tinham 10 anos. Então eu sou a terceira geração da família no Brasil.
Lizbeth Kossmann: Terceira geração.
Swetlana Cvirkun: E eu tenho filhos e netos. Então, os meus filhos dançam no folclore e os meus netos já dançam também.
Lizbeth Kossmann: Será que não foi a tua filha ou a tua neta que eu vi? A senhora tem filha ou é neto?
Swetlana Cvirkun: Não, eu tenho três filhos, duas mulheres e um homem e tenho três
Lizbeth Kossmann: Ah, tá. Não,
Swetlana Cvirkun: netos.
Lizbeth Kossmann: eu vi umas meninas lindas assim com a roupa folclórica e daí eu pensei, eu pensei, agora tô falando se não é uma delas, né? Eu não me não me recordo o
Swetlana Cvirkun: Pode ser. Pode ser.
Lizbeth Kossmann: nome.
Swetlana Cvirkun: e eu tenho, um neto que tem 15 anos, já dança no folclore também. E os pequenos de 5 anos também estão se familiarizando,
Lizbeth Kossmann: Que
Swetlana Cvirkun: né? Então, o meu filho levou a minha nora e os filhos também para o grupo folclórico. Então assim,
Lizbeth Kossmann: Eu queria te Ai,
Swetlana Cvirkun: tu não,
Lizbeth Kossmann: desculpa, não quis te interromper.
Swetlana Cvirkun: só para terminar, então eu quero falar um pouquinho porque então a culinária vem dos primórdios, né? Claro que tem algumas nuances, não é? Talvez não seja igual a da Ucrânia, mas é o que os nossos pais trouxeram ao longo dessa caminhada. nós tivemos pessoas que vieram da Ucrânia, nós nos mobilizamos na época que teve, começou a guerra mais recente, vieram algumas pessoas para cá. nós tivemos um padre há uns 10 anos que inclusive nos visita até hoje, que a esposa veio da Ucrânia, então ela também fez uma revitalização assim da culinária. E nós tivemos a oportunidade também há alguns anos atrás, eu não tô recordando agora quantos anos, mas eu acho que faz uns 10 anos, de ter uma pessoa da nossa comunidade em conjunto com uma pessoa que estava fazendo nutrição na Unilasalle. escreverem; elas escreveram um livro. Na verdade, o trabalho de conclusão desta pessoa serenita foi sobre gastronomia ucraniana. Então, acho bem interessante que tu tenhas acesso, tá? Porque tem fotos ali que talvez não precisaria nem tirar fotos, tem fotos lindas no livro.
Lizbeth Kossmann: Ótimo. Ótimo.
Swetlana Cvirkun: E aí a gente pode te até te oferecer um livro, se tu quiseres ficar com um livro, te doar, e tu pode dali tirar imagens bem interessantes.
Lizbeth Kossmann: Ótimo. Tem receita, tudo.
Swetlana Cvirkun: E ele é, ele é um livro assim que tem a maioria das receitas ucranianas.
Lizbeth Kossmann: Como é o nome do livro?
Swetlana Cvirkun: Pois é, eu sou, eu não peguei agora.
Lizbeth Kossmann: Pode me mandar depois,
Swetlana Cvirkun: Eu te mando a seguir,
Lizbeth Kossmann: não tem problema.
Swetlana Cvirkun: depois eu te mando. E aí, se quiser pegar eu levo no final de semana, fica lá. Se alguém vier buscar, se esse rapaz for lá, tá? Eu te mando o livro.
Lizbeth Kossmann: Ai, agradeço muito. Obrigada. Uhum.
Swetlana Cvirkun: então pode perguntar.
Lizbeth Kossmann: Tá. Eu te agradeço primeiro pela tua disponibilidade, né? É uma honra para nós e eu sei que é difícil o tempo para
Swetlana Cvirkun: tempo para todos. É.
Lizbeth Kossmann: todos.
Swetlana Cvirkun: E tu nos achou por onde?
Lizbeth Kossmann: Eu fui,
Swetlana Cvirkun: Pelo
Lizbeth Kossmann: eu vi que tinha a igreja, busquei no Instagram e aí tinha um card chamando para um evento que dizia assim:
Swetlana Cvirkun: Ah, tá.
Lizbeth Kossmann: “Fale com Lana no WhatsApp e tal”. E daí eu, foi assim que eu cheguei.
Swetlana Cvirkun: E então eu sou a presidente da paróquia nesse momento.
Lizbeth Kossmann: Ah, ótimo.
Swetlana Cvirkun: Então, então é isso assim em relação a que eu gostaria de falar, mas agora tu me pergunta que eu vou te
Lizbeth Kossmann: Ótimo. Quanta,
Swetlana Cvirkun: responder.
Lizbeth Kossmann: uma dúvida assim, mais ou menos quantas pessoas da comunidade existem hoje?
Swetlana Cvirkun: Ai, olha, o que eu vou te dizer? talvez há menos participantes assíduos do que pessoas ligadas à comunidade, mas nós temos em torno de umas 60
Lizbeth Kossmann: Uhum. Tá legal.
Swetlana Cvirkun: famílias.
Lizbeth Kossmann: Bom, eu separei algumas perguntas, elas são bem assim, não são técnicas, são mais afetivas, porque eu acho que um pouco a comida é isso, assim, né? E e daí eu vou te perguntando, se tiver alguma coisa que tu não queira responder, tu só me diz que tá tudo bem também. quando tu pensas numa comida, né, tu tiveste mais proximidade inclusive com imigrantes diretamente, né? Porque que, por exemplo, os alemães que eu conversei a referência era o bisavô, então assim, eles não tiveram essa infância ali junto com o então o caso é bem mais bem mais frutífero para nós assim, né? Então assim, quando tu pensas numa comida da tua infância, qual é a primeira comida, a primeira imagem que te vem na cabeça?
Swetlana Cvirkun: a minha avó, porque eu passei os primeiros anos da minha vida, minha mãe trabalhava e eu ficava com a minha avó materna. Então, a maioria das coisas que eu tenho de infância, assim, de comida, tem a ver com a minha avó, que fazia os principais pratos ucranianos. A minha avó veio de lá, então ela se acostumou assim ao longo do tempo com a comida brasileira, com pratos tradicionais, feijão, arroz, né? Isso não havia na alimentação dela na Ucrânia. E a minha avó só falava
Lizbeth Kossmann: Eu,
Swetlana Cvirkun: ucraniano.
Lizbeth Kossmann: pois é, eu ia te perguntar, ela não falava nada de
Swetlana Cvirkun: Quando vieram não falava nada. E ela faleceu,
Lizbeth Kossmann: português.
Swetlana Cvirkun: eu já tinha 25 anos, eu acho. E ela até até morrer, ela tinha grande dificuldade de falar português, sabe? Ela ainda puxava ucraniano. Assim,
Lizbeth Kossmann: E tu entendi um pouco, tu fala um pouco?
Swetlana Cvirkun: eu acabei aprendendo, né? E na minha casa se falava muito ucraniano,
Lizbeth Kossmann: Que
Swetlana Cvirkun: mas assim, ó, hoje eu perdi muito do vocabulário. e tem assim, tem muitos cursos hoje online.
Lizbeth Kossmann: A deman está
Swetlana Cvirkun: Eu quero muito fazer um curso de atualização, mas eu me viro assim, me viro. Então, então é isso, assim, a minha avó é o que eu lembro de afetividade na alimentação, sabe?
Lizbeth Kossmann: E o que ela fazia para
Swetlana Cvirkun: Então,
Lizbeth Kossmann: ti?
Swetlana Cvirkun: ela fazia o prato principal da culinária ucraniana são os varênyky. varênyky, que é um pastelzinho de massa assim, recheado principalmente com batata, é o mais tradicional. E ele é cozido, ele não é frito, é cozido e se come com nata. É uma delícia assim. E é Uhum.
Lizbeth Kossmann: A vapor, a vapor.
Swetlana Cvirkun: E bom, então varênyky, que é uma coisa importante para mim, borsch, que é, não sei se já ouviu falar da sopa vermelha,
Lizbeth Kossmann: Não.
Swetlana Cvirkun: é uma sopa com beterraba, repolho, carne. É tipo um sopão assim, só que a grande diferença é que ele fica vermelho, fica mais que vermelho assim, por escuro, sabe? e com essa tonalidade graça a beterrabo, tomate. Então esse prato também é um prato muito comum assim na culinária e ele é muito utilizado porque a Ucrânia tem um inverno muito rigoroso com muita neve, então não tem a disposição, não tinha no passado à disposição gêneros alimentícios assim, qualquer um. Então os eles os as pessoas guardavam batata nos porões das casas para poder comer, ter comida durante o inverno, né? Então a o borsch é uma é uma é um prato bem tradicional.
Lizbeth Kossmann: E um
Swetlana Cvirkun: Depois doce,
Lizbeth Kossmann: doce.
Swetlana Cvirkun: tem muitos doces que eu não eu não aprendi, tá? Tu vai ver no livro até, mas assim, nós comimos muito e comemos até hoje,
Lizbeth Kossmann: Eu
Swetlana Cvirkun: fizemos uns pãezinhos de forno que são recheados com maçã. É, é maravilhoso. É maravilhoso.
Lizbeth Kossmann: imagino.
Swetlana Cvirkun: É bem recheado com uma maçã que é um pouquinho preparada também assim com açúcar. Então esse é um doce muito gostoso. E esse mesmo pãozinho pode ser feito salgado, mas feito com uvas, uva preta também fica delicioso.
Lizbeth Kossmann: que delícia.
Swetlana Cvirkun: E além disso, um prato também é o cutiá. O cutiá é um, deixa eu te explicar. É, tu conhece trigo sarraceno?
Lizbeth Kossmann: Não,
Swetlana Cvirkun: Tá. Então tu vai procurar.
Lizbeth Kossmann: vou procurar.
Swetlana Cvirkun: É um trigo que
Lizbeth Kossmann: Vou procurar só um minutinho. Deixa eu perguntar pro meu esposo que tá aqui do lado,
Swetlana Cvirkun: é Ah,
Lizbeth Kossmann: que ele é da área. Tu conhece trigo nasceno? Aham.
Swetlana Cvirkun: Tá sarraceno.
Lizbeth Kossmann: Conhece? Conhece. Ele é da área,
Swetlana Cvirkun: Então é um é um grão do trigo,
Lizbeth Kossmann: né?
Swetlana Cvirkun: tá? É um grãozinho. E aí tu cozinha ele, o grão abre. E esse é o prato de cutiá. Com esse grão, tu tu a gente cozinha uma porção grande e dentro e aí tu prepara o grão de trigo com
Lizbeth Kossmann: А
Swetlana Cvirkun: especiarias, nozes, castanhas, uva passa, damasco, tá? Mistura tudo isso e com mel. Então, coloca mel também. Isso é uma, é cutiá é uma é uma, é um doce muito comum, muito comum. E aí tem tantos outros que tu vai ver no livro, tem vários ali explicando até como fazer.
Lizbeth Kossmann: Ai, que delícia. A próxima pergunta, tem alguma coisa que vocês adaptaram daquela comida para hoje que vocês começaram a fazer diferente daquela forma como tu qual tu lembrava quando era criança?
Swetlana Cvirkun: Pois é, o que eu vou te dizer? Talvez assim, a gente faz repolho, o repolho azedo, repolho azedo, tá? Para nós ele tem outro nome, mas ele é repolho azedo, traduzido. Ele talvez não é mais feito como na Ucrânia, porque aqui a gente não tem determinada condição, ele precisa azedar espontaneamente, entende? Então, a gente teve que fazer algumas adaptações, porque aqui não temos as mesmas condições. Mesma coisa especiarias. Endro, tu já ouviu falar desse tempero?
Lizbeth Kossmann: Endro, tu sabe o que é? Aham. Entendo. Ele sabe também.
Swetlana Cvirkun: É, é fácil de comprar aqui.
Lizbeth Kossmann: Uhum. Imagina.
Swetlana Cvirkun: Usa-se muito endro, então a gente tem que adaptar usar um outro tipo de tempero. Mas assim, esse essas essas comidas que eu te falei, elas são feitas tal qual na Ucrânia, só que a Ucrânia, como outros países, tem regiões. Então é a mesma coisa que o Aipim, que aqui é ipim, em outras regiões é macaxeira, cada um usa um nome e talvez fal formas.
Lizbeth Kossmann: Depende, né? Uhum.
Swetlana Cvirkun: O borsch, essa sopa que eu te falei de beterraba e repolho, tem regiões que é só beterraba, então tem essas nuances, nuances é o borsch,
Lizbeth Kossmann: Uhum. Ótimo.
Swetlana Cvirkun: né?
Lizbeth Kossmann: tinha algum evento assim que vocês, por exemplo, os antigos faziam às vezes festividade até nos funerais, né? batizado ou casamento, que era aquela comida que era feita só naquele dia, que era uma comida especial para aquele dia.
Swetlana Cvirkun: Nós temos nos casamentos um uma tradição. Nem todos fazem pratos típicos nos casamentos, tá? A gente foi num casamento há pouco tempo que tinha varênyky de entrada, que é aqueles pasteizinhos que eu te falei. Mas o um prato que tem dos casamentos é o karavai. tem no livro, mas eu acho que tem. É um pão, é um pão diferente, porque ele é um pão bem feito, a massa é bem gostosa, mas ele é todo decorado com a própria massa do pão.
Lizbeth Kossmann: Ai, que lindo.
Swetlana Cvirkun: Ele é ele é ele pode ser redondo, pode ser quadrado, pode ser retangular. Na parte de cima dele se faz pombinhos, se faz desenhos, flores, tudo com a massa do pão. Quando termina de assar, se passa então aquele ovo, a gema do ovo para ficar dourado e brilhante.
Lizbeth Kossmann: Para ficar bonitinho. Aham.
Swetlana Cvirkun: Esse é um pão que é só feito para casamentos, né? Isso é bacana. É o que eu tô me lembrando agora.
Lizbeth Kossmann: Tá bem. aí tu me disse, é uma pergunta que eu botei aqui, se vocês tinham livros de receita, mas pelo jeito tem, né? Essa esse livro dessa moça que fez a pesquisa, como é o nome dela?
Swetlana Cvirkun: É Uliana, Uliana [sobrenome inaudível], se tu quiser depois posso te
Lizbeth Kossmann: Ah, eu procurei ela no Instagram.
Swetlana Cvirkun: mandar
Lizbeth Kossmann: Eu acho que eu vi alguma coisa. Uliana, eu vou pro o livro.
Swetlana Cvirkun: Uliana é um membro da comunidade que se envolveu muito com o grupo de jovens, Solovi, depois foi na criação do Solovi, ela estava e atualmente ela mora na Espanha, mas ela se envolve com a comunidade ainda, temos contato direto. Então, a Uliana foi uma e a outra se chamava Serenita. Mas quando tu olhares o livro, tu vai ver os autores.
Lizbeth Kossmann: Ótimo. Uhum.
Swetlana Cvirkun: A Serenita, inclusive é de Canoas, mora lá ainda.
Lizbeth Kossmann: da tua infância, tu já morava em Canoas já?
Swetlana Cvirkun: atualmente eu moro em Porto Alegre,
Lizbeth Kossmann: Porto Alegre.
Swetlana Cvirkun: mas eu morei em Niterói.
Lizbeth Kossmann: Uhum. Ah, tu lembra? Sim. De E daí agora trazendo mais paraa situação de canoas, né? tu lembra assim de algum mercadinho, venda? Alguma senhora, senhor que vendia um tipo específico de comida ali na tua região, né? Ai, sei lá, faltava um ingrediente pra gente fazer a comida típica. Daí a gente sabia que lá em tal lugar tinha um armazém.
Swetlana Cvirkun: Não sei não. Mas assim, tem a gente conhecia pessoas que faziam a comida ucraniana e vendiam pros vizinhos, né? Mas que faltasse gêneros, eu não me recordo.
Lizbeth Kossmann: Tá bem. e aí agora também outra pergunta. Tu sabe que tem uma lei em Canoas que instituiu Canoas como a Capital Nacional do Xis? foi um projeto de lei aprovado pelo pelo vereador César Augusto. E um dos uma das nossas funções é a gente poder entender se realmente isso é verdadeiro, né? Uma investigação. Por exemplo, os alemães e ali, os descendentes de alemães me disseram assim: “Não, a gente acha que é o churrasco, né?” Então,
Swetlana Cvirkun: Olha,
Lizbeth Kossmann: a gente não vê assim o X como tão forte, né? em canoa. Queria saber um pouco da tua opinião assim, qual que é a comida que tu quando fala de canoas tu pensa: “Não, é isso aqui”.
Swetlana Cvirkun: eu posso dizer, eu penso em Canoas como um centro gastronômico, porque o que desenvolveu Eu a quantidade de restaurantes, a quantidade de áreas que tem restaurantes e a diversidade é imensa. Eu eu moro em Porto Alegre e eu fico impressionada com esse crescimento na área gastronômica. Mas eu não sei se o X é
Lizbeth Kossmann: verdade.
Swetlana Cvirkun: o é o carro assim, né, chefe, porque mas eu posso dizer que eu não moro mais em Canoas hoje, mas assim os meus pares da igreja são loucos por X. Quando chega o padre que vem do Paraná, eu tenho pessoas que dizem: “Vamos levar o padre para comer um X.” Pá,
Lizbeth Kossmann: E onde é que vocês levam ele?
Swetlana Cvirkun: eu não sei o nome, não sei, eu não sei, não sou eu que levo, mas o Bores, a Anânia, que são pessoas que moram ali em Canoas e o padre morou em Canoas na época que ele era padre aqui, ele é ele é assim Se é se oferecer para ele, vamos comer alguma coisa hoje de noite, vamos comer um X, né?
Lizbeth Kossmann: Um X,
Swetlana Cvirkun: tu falando do X, eu lembrei dessa situação assim e eu tenho pessoas na comunidade que moram em
Lizbeth Kossmann: ó. Ótimo. Ótimo.
Swetlana Cvirkun: Canoas e são muito assim entusiasmadas por comer xis.
Lizbeth Kossmann: Então é,
Swetlana Cvirkun: sempre tem parece que tem.
Lizbeth Kossmann: tem um fundo de verdade aí, né?
Swetlana Cvirkun: talvez mesmo existindo a lei, essa questão não está muito disseminada. talvez
Lizbeth Kossmann: É, é que eu acho que talvez tinha que ter um festival,
Swetlana Cvirkun: tivessear,
Lizbeth Kossmann: alguma coisa assim, né, para consolidar,
Swetlana Cvirkun: é para construir construir essa imagem,
Lizbeth Kossmann: né?
Swetlana Cvirkun: né, mais claramente.
Lizbeth Kossmann: Tá bem. e esses esses eventos que vocês fazem, eles têm assim, são periódicos?
Swetlana Cvirkun: Nós temos um calendário de eventos anual, né? Então assim, geralmente a gente faz vários deliveries ao longo do ano. Deliveries, as pessoas vão lá e buscam a comida. nós temos comida congelada para oferecer para quem quiser. E nós fazemos eventos presenciais. Os eventos presenciais sempre começam em março com o almoço da quaresma, quando fazemos tainha assada na brasa. Depois nós temos agora esse de final de maio é o dia da padroeira, que a padroeira da nossa igreja é Santíssima Trindade. Então é o dia da padroeira, se faz o evento. Depois o grande evento é em agosto, porque nós sempre comemoramos a independência da Ucrânia,
Lizbeth Kossmann: Ah, sim.
Swetlana Cvirkun: que é comemorada no dia 24. mesmo agora com essa guerra toda, e com tudo isso que tá acontecendo, é um momento bem importante, muito significativo, onde todas as pessoas no mundo fazem esse evento, né, reforçar que a Ucrânia é livre,
Lizbeth Kossmann: Uhum. Uhum.
Swetlana Cvirkun: né, e depois nós temos ainda alguns almoços ao longo do ano até dezembro.
Lizbeth Kossmann: Uhum. A gente não falou da bebida alcoólica. Eu tenho muita curiosidade para saber assim qual é a bebida típica
Swetlana Cvirkun: Tá, mas eu só queria voltar um pouquinho que a Páscoa,
Lizbeth Kossmann: assim.
Swetlana Cvirkun: a Páscoa é um momento bem importante. E falando assim, ó, de agora lembrei o que eu não tinha lembrado no momento, tu me perguntou de alimentos que a gente faz só para um determinado período. Na na Páscoa, além de toda o ritual religioso, no dia da Páscoa, as pessoas vão para a missa no domingo de Páscoa e benzem alimentos. Os alimentos são benzidos. Então, qual é a finalidade? Eu faço eu preparo alimentos, tá? que vão ser benzidos e depois eu compartilho esses alimentos com a minha família. Então, no passado, essa missa de Páscoa era à noite, então se chegava de madrugada em casa e se compartilhava aqueles alimentos benzidos. Como agora tá muito difícil fazer alguma coisa de noite, até porque as pessoas envelheceram, porque ah, não, não é seguro, é feito de manhã. Mas assim, a gente faz então a paska, que é um pão parecido com com o panetone, parecido com pão de Natal,
Lizbeth Kossmann: Да.
Swetlana Cvirkun: a Páscoa, também pintamos ovos, seguindo a tradição ucraniana,
Lizbeth Kossmann: Ai, que legal.
Swetlana Cvirkun: né? Tu já ouviu falar das pêssankas?
Lizbeth Kossmann: Uhum. Sim, isso sim. Aham.
Swetlana Cvirkun: Então, não são pêssankas tão elaborschdas como as pêssankas, mas são são ovos pintados que a gente cozinha e pinta para a Páscoa. Eles são benzidos, depois consumidos e outros outros outros itens tradicionais. E ia falar também que no Natal uma das tradições é fazer oito pratos típicos ucranianos, tá? Então isso também ainda se mantém, né? Entre os oito pratos estão esses que eu te falei de tantos outros, né? um outro prato bem importante assim da culinária é o a gelatina de carne. É uma gelatina. É uma gelatina que se faz cozindo a cozendo a carne, cozinhando a carne e outras especiarias e os pés do boi.
Lizbeth Kossmann: Ah, porque é cartilagem, né?
Swetlana Cvirkun: Então tu bota os pés do boi, cozinha junto com a carne, depois desfia toda a carne e depois de algum tempo na geladeira, transforma-se em gelatina. é uma gelatina transparente onde dentro dela está a carne desfiada. Então é um prato bem típico também que tá no livro. Tu vai ver agora só volta e me diz o que tu perguntou que eu
Lizbeth Kossmann: Ótimo. Ah,
Swetlana Cvirkun: esqueci.
Lizbeth Kossmann: eu quero saber das bebidas alcoólicas.
Swetlana Cvirkun: então a bebida alcoólica é a horilka. Rorilka, né? que é uma vodka preparada, tá? Uma vodka que tu coloca pimenta dentro e deixa aquilo um tempo,
Lizbeth Kossmann: Marinando.
Swetlana Cvirkun: né? Marinando. Coloca um pouquinho de mel, bem pouquinho de mel na pimenta e aí se toma aquilo. Rorilka é bem tradicional, bem tradicional. E tem um gostinho bem forte da pimenta que até
Lizbeth Kossmann: Deve aquecer, né?
Swetlana Cvirkun: acaba aquecendo; exatamente o objetivo é aquecer.
Lizbeth Kossmann: Aquece o corpo. Uhum. Uhum.
Swetlana Cvirkun: Antigamente, quando a gente não faz mais isso, mas muitas pessoas quando comem borsch, é uma sopa bem quente,
Lizbeth Kossmann: Olha
Swetlana Cvirkun: tomam a horilka primeiro. Primeiro, comem um dente de alho, alho cru, um dente de alho descascado, bota o dente de alho no sal, come o alho e bebe a horilka, o
Lizbeth Kossmann: só que legal,
Swetlana Cvirkun: borsch.
Lizbeth Kossmann: cara. Nossa, como tá sendo produtiva assim. legal conversar contigo, né? essa troca de culturas assim que estão tão próximas da gente, nós não conhecemos. Eu acho que esse é um pouco objetivo, né, do nosso do nosso trabalho.
Swetlana Cvirkun: eu acho é uma pena que Canoas não desenvolva feiras, porque todas as etnias que estão em canoas poderiam aparecer mais, né, e perpetuando seus valores, os costumes, culturas. hoje a gente participa da Feira das Nações em Porto Alegre, que é uma feira que acontece em novembro bem forte, mas assim, ó, tu conversa com as pessoas, poxa, que bom se tivesse em canoas alguma coisa, né?
Lizbeth Kossmann: porque começou aqui, né, a comunidade de vocês, né? Eu não vou mais tomar teu tempo, Lana. acho que a gente conversou bastante, tem muita coisa aqui para explorar. Eu vou combinar contigo que então ali por uma hora o Gabriel vai estar aí no domingo. e daí tu, por gentileza, deixa para ele já esse livro, se for possível, e daí tu mesma pode conduzir ele para as fotos que tu achar mais relevantes, tipo, ah, os pratos típicos, uma foto de todo mundo reunido, né, ou uma foto só tua, da tua família, tu que sabe ali.
Swetlana Cvirkun: Pergunta uma coisa. Ele precisa chegar à uma hora? Não poderia chegar um pouco antes? Acho que à uma hora ainda não estarão dançando. Ele pode ficar um pouco,
Lizbeth Kossmann: Sim, mas se tu quiser pode ir mais cedo ou mais
Swetlana Cvirkun: não é?
Lizbeth Kossmann: tarde.
Swetlana Cvirkun: é que depois do almoço, se ele puder vir e almoçar com a gente, seria bom, porque depois do almoço, o grupo folclórico vai se apresentar, que eu acho bonito, tem muito colorido, as roupas são muito coloridas, acho que faria legal tirar uma foto deles.
Lizbeth Kossmann: Pois é, eu quero ir,
Swetlana Cvirkun: Pois é, quem sabe,
Lizbeth Kossmann: eu quero ir lá experimentar essa comida. eu vou ver com ele, tá? Então, quem sabe ao meio-dia ou um pouco antes, eu vou combinando contigo, mas domingo, com certeza, porque a gente tá com um prazo bem apertado e e daí isso vai virar um artigo, eu vou te mandar com as fotos.
Swetlana Cvirkun: Esse artigo que tu vai escrever, tu vai nos mandar para ver como é
Lizbeth Kossmann: Claro, claro.
Swetlana Cvirkun: que
Lizbeth Kossmann: Mas nada do que estiver lá vai ser alguma coisa que tu não tenha dito, entendeu? Porque eu vou fazer a partir do que tu me falaste, né?
Swetlana Cvirkun: Vocês foram beneficiados por qual edital?
Lizbeth Kossmann: O PIC
Swetlana Cvirkun: Ah, tá. Mas é mais antigo, não é? Desse ano, do ano passado.
Lizbeth Kossmann: de 2024, né?
Swetlana Cvirkun: Ah, tá.
Lizbeth Kossmann: 2023 a gente pediu prorrogação e daí a gente ganhou no patrimônio histórico cultural e daí vai tudo isso vai ser reunido
Swetlana Cvirkun: Que bom.
Lizbeth Kossmann: num arquivo digital. a gente, a nossa contrapartida vai ser esse arquivo, que é um site com receitas, por exemplo, a tua história vai estar lá, e a gente vai fazer também alguns vídeos, sabe? Pesquisar, por exemplo, eu tô com uma lista ali, Paçoquinha, tu deve conhecer, Xis Rei, coisas mais antigas, café imperial, eu tô com bastante dificuldade de encontrar todos, né? eu, inclusive assim, o que tá mais me dificultando, se tu conhecer alguém da praia do Paquetá, os pescadores ali, que eu quero ver se tem alguma tradição do peixe por ali, sabe? O que falar um pouco da comunidade, mas a gente vai conseguir achar sim. E se tu tiveres alguma indicação que tu acha, ó, isso aqui tem que tá, eu agradeço também,
Swetlana Cvirkun: Tá bom, tá bem,
Lizbeth Kossmann: tá bem? Muito obrigada,
Swetlana Cvirkun: tá bom.
Lizbeth Kossmann: Lana. Muito obrigada. Domingo aí eu vou tentar convencer a galera aqui em casa da gente ir porque eu fiquei muito curioso e daqui a pouco a gente mesmo faz as fotos, tá? Muito obrigada.
Swetlana Cvirkun: Tá.









